Giz, lousa e saliva – essas três
palavras são utilizadas muitas vezes para sintetizar o que significaria uma
aula expositiva. Quem utiliza esses termos para assim explicar uma das mais
tradicionais técnicas de trabalho em sala de aula? Em grande parte dos casos os
próprios professores. E o que isso significa? Que a compreensão dessa forma tão
comum de trabalho em educação precisa melhorar para que não seja difamada, vilipendiada
e, conseqüentemente, considerada vilã no processo de ensino-aprendizagem.
O próprio conceito de aula está tão
intimamente ligado a idéia de apresentação oral dos conceitos seguida de
anotações em quadro negro que muitas pessoas pensam que a educação se resume a
essa prática/metodologia.
Diante das perspectivas do mundo em
que vivemos, no qual a introdução de novas tecnologias atinge toda a sociedade,
em diferentes graus e velocidades, é notável que também as escolas estejam
adicionando computadores, vídeos, Internet, CDs, DVDs e outros recursos
tecnológicos ao seu aparato e trabalho em aulas.
Falta, em muitos casos, critério e
conhecimento, vivência e um bom planejamento para o uso desses equipamentos nas
escolas. Há muita disposição para a utilização, mas pouca paciência para um
estudo mais aprofundado e a elaboração de projetos claros e bem definidos
quanto a encaminhamentos, objetivos e resultados atingidos.
O uso de computadores, Internet, DVDs
e outros recursos tecnológicos deve
ser necessariamente acompanhado de aulas expositivas bem planejadas que
esclareçam conceitos e reforcem idéias pesquisadas nessas mídias e ferramentas.
ser necessariamente acompanhado de aulas expositivas bem planejadas que
esclareçam conceitos e reforcem idéias pesquisadas nessas mídias e ferramentas.
A utilização regular desses
instrumentos da tecnologia nas salas de aula não significa, porém, a
aposentadoria das aulas expositivas. Nem mesmo se todas as escolas brasileiras
estivessem plenamente equipadas e os professores preparados adequadamente para
a implementação de projetos com essas ferramentas poderíamos prescindir das
aulas expositivas.
O que se observa, no entanto, é que
também essa metodologia tão tradicional necessita de revisões e reestruturações
para que seu aproveitamento e rendimento sejam muito melhores. Falta
planejamento e estudo para que as aulas expositivas sejam efetivas,
interessantes, sedutoras e envolventes para os estudantes.
Alguns de nossos colegas professores
que navegam regularmente pelas páginas do Planeta Educação podem estar
estranhando essas colocações relativas a continuidade e valor das aulas
expositivas tendo em vista os projetos e idéias que continuamente estamos
propondo para a educação através de nossas várias colunas.
Superar barreiras ideológicas é,
portanto, uma necessidade. Ao fazermos nossas apreciações, por mais que
tentemos ser neutros, ficam transparentes quais são nossas maiores simpatias
relativamente a um assunto. Mesmo assim é necessário que sejamos pertinentes o
suficiente para demonstrar aos nossos alunos que há formas diferentes de pensar
acerca do mesmo objeto de estudos. Dessa forma estaremos dando a eles a
oportunidade de escolher quais caminhos são mais condizentes para cada um
deles.
João
Luís de Almeida Machado Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e
História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor
Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima
Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

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