sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A aposentadoria da Aula Expositiva?


Giz, lousa e saliva – essas três palavras são utilizadas muitas vezes para sintetizar o que significaria uma aula expositiva. Quem utiliza esses termos para assim explicar uma das mais tradicionais técnicas de trabalho em sala de aula? Em grande parte dos casos os próprios professores. E o que isso significa? Que a compreensão dessa forma tão comum de trabalho em educação precisa melhorar para que não seja difamada, vilipendiada e, conseqüentemente, considerada vilã no processo de ensino-aprendizagem.

O próprio conceito de aula está tão intimamente ligado a idéia de apresentação oral dos conceitos seguida de anotações em quadro negro que muitas pessoas pensam que a educação se resume a essa prática/metodologia.

Diante das perspectivas do mundo em que vivemos, no qual a introdução de novas tecnologias atinge toda a sociedade, em diferentes graus e velocidades, é notável que também as escolas estejam adicionando computadores, vídeos, Internet, CDs, DVDs e outros recursos tecnológicos ao seu aparato e trabalho em aulas.

Falta, em muitos casos, critério e conhecimento, vivência e um bom planejamento para o uso desses equipamentos nas escolas. Há muita disposição para a utilização, mas pouca paciência para um estudo mais aprofundado e a elaboração de projetos claros e bem definidos quanto a encaminhamentos, objetivos e resultados atingidos.

O uso de computadores, Internet, DVDs e outros recursos tecnológicos deve
ser necessariamente acompanhado de aulas expositivas bem planejadas que
esclareçam conceitos e reforcem idéias pesquisadas nessas mídias e ferramentas.

A utilização regular desses instrumentos da tecnologia nas salas de aula não significa, porém, a aposentadoria das aulas expositivas. Nem mesmo se todas as escolas brasileiras estivessem plenamente equipadas e os professores preparados adequadamente para a implementação de projetos com essas ferramentas poderíamos prescindir das aulas expositivas.

O que se observa, no entanto, é que também essa metodologia tão tradicional necessita de revisões e reestruturações para que seu aproveitamento e rendimento sejam muito melhores. Falta planejamento e estudo para que as aulas expositivas sejam efetivas, interessantes, sedutoras e envolventes para os estudantes.

Alguns de nossos colegas professores que navegam regularmente pelas páginas do Planeta Educação podem estar estranhando essas colocações relativas a continuidade e valor das aulas expositivas tendo em vista os projetos e idéias que continuamente estamos propondo para a educação através de nossas várias colunas.

Superar barreiras ideológicas é, portanto, uma necessidade. Ao fazermos nossas apreciações, por mais que tentemos ser neutros, ficam transparentes quais são nossas maiores simpatias relativamente a um assunto. Mesmo assim é necessário que sejamos pertinentes o suficiente para demonstrar aos nossos alunos que há formas diferentes de pensar acerca do mesmo objeto de estudos. Dessa forma estaremos dando a eles a oportunidade de escolher quais caminhos são mais condizentes para cada um deles.

João Luís de Almeida Machado Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

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