sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Pela Internet



Pela Internet Gilberto Gil



Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
Um barco que veleje

Que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve um oriki do meu velho orixá
Ao porto de um disquete de um micro em Taipé

Um barco que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve meu e-mail até Calcutá
Depois de um hot-link
Num site de Helsinque
Para abastecer

Eu quero entrar na rede
Promover um debate
Juntar via Internet
Um grupo de tietes de Connecticut

De Connecticut acessar
O chefe da milícia de Milão
Um hacker mafioso acaba de soltar
Um vírus pra atacar programas no Japão

Eu quero entrar na rede pra contactar
Os lares do Nepal, os bares do Gabão
Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular
Que lá na praça Onze tem um videopôquer para se jogar




Utilizo a letra dessa música de Gilberto Gil para ilustrar o objetivo desse blogue:  discutir as possibilidades pedagógicas na web 2.0, sem, contudo, pretender esgotá-las, pois são infinitas nesse “infomar”.

Lembro-me do tempo em que para dinamizar um pouco a aula o professor, num esforço de inovação, pedia pesquisas (que eram feitas em bibliotecas, ou, no máximo na casa de algum amigo que tinha uma enciclopédia), solicitava a elaboração de cartolinas ou com muita ousadia uma maquete. Havia ainda aqueles, esses sim, muito arrojados que organizavam uma visita de campo ou mais modernamente que traziam um filme (em VHS, claro) para ser visto pela turma.

 
                                                                              

Fico pensando, o que fariam esses arrojados professores dos anos 1980 no mundo da web 2.0? A princípio, acredito que ganhariam em performance, pois os conteúdos pesquisados chegariam mais rapidamente (sem os longos processos de pesquisa). Sem contar a infinidade de conteúdos que são produzidos ou que poderiam ser construídos a partir da sala de aula e disponibilizados para o mundo. Aquela tímida professora de ciências que nos anos 1980 começou a falar em ecologia, poderia hoje iniciar, quem sabe, um movimento de alcance mundial, postando no You Tube o vídeo de um trabalho com a turma. Aquela professora regionalista que um dia pediu a letra da música “A volta da asa branca” para discutir em sala de aula, poderia hoje direcionar os alunos para um podcast sobre a obra de Luiz Gonzaga.

Enfim, de algumas décadas para cá, os conteúdos crescem exponencialmente, os alunos detêm o domínio das ferramentas de comunicação, mais até que seus professores e as prósprias ferramentas se modificam e ficam obsoletas antes mesmo que alguns se familiarizem com elas, mas na essência o que há de verdade, em termos de aprendizado, não se diferencia muito do que havia no passado: um indivíduo que aprende ao entrar em contato com estímulo (virtual ou não).
 

 Nathália Macedo de Morais

A aposentadoria da Aula Expositiva?


Giz, lousa e saliva – essas três palavras são utilizadas muitas vezes para sintetizar o que significaria uma aula expositiva. Quem utiliza esses termos para assim explicar uma das mais tradicionais técnicas de trabalho em sala de aula? Em grande parte dos casos os próprios professores. E o que isso significa? Que a compreensão dessa forma tão comum de trabalho em educação precisa melhorar para que não seja difamada, vilipendiada e, conseqüentemente, considerada vilã no processo de ensino-aprendizagem.

O próprio conceito de aula está tão intimamente ligado a idéia de apresentação oral dos conceitos seguida de anotações em quadro negro que muitas pessoas pensam que a educação se resume a essa prática/metodologia.

Diante das perspectivas do mundo em que vivemos, no qual a introdução de novas tecnologias atinge toda a sociedade, em diferentes graus e velocidades, é notável que também as escolas estejam adicionando computadores, vídeos, Internet, CDs, DVDs e outros recursos tecnológicos ao seu aparato e trabalho em aulas.

Falta, em muitos casos, critério e conhecimento, vivência e um bom planejamento para o uso desses equipamentos nas escolas. Há muita disposição para a utilização, mas pouca paciência para um estudo mais aprofundado e a elaboração de projetos claros e bem definidos quanto a encaminhamentos, objetivos e resultados atingidos.

O uso de computadores, Internet, DVDs e outros recursos tecnológicos deve
ser necessariamente acompanhado de aulas expositivas bem planejadas que
esclareçam conceitos e reforcem idéias pesquisadas nessas mídias e ferramentas.

A utilização regular desses instrumentos da tecnologia nas salas de aula não significa, porém, a aposentadoria das aulas expositivas. Nem mesmo se todas as escolas brasileiras estivessem plenamente equipadas e os professores preparados adequadamente para a implementação de projetos com essas ferramentas poderíamos prescindir das aulas expositivas.

O que se observa, no entanto, é que também essa metodologia tão tradicional necessita de revisões e reestruturações para que seu aproveitamento e rendimento sejam muito melhores. Falta planejamento e estudo para que as aulas expositivas sejam efetivas, interessantes, sedutoras e envolventes para os estudantes.

Alguns de nossos colegas professores que navegam regularmente pelas páginas do Planeta Educação podem estar estranhando essas colocações relativas a continuidade e valor das aulas expositivas tendo em vista os projetos e idéias que continuamente estamos propondo para a educação através de nossas várias colunas.

Superar barreiras ideológicas é, portanto, uma necessidade. Ao fazermos nossas apreciações, por mais que tentemos ser neutros, ficam transparentes quais são nossas maiores simpatias relativamente a um assunto. Mesmo assim é necessário que sejamos pertinentes o suficiente para demonstrar aos nossos alunos que há formas diferentes de pensar acerca do mesmo objeto de estudos. Dessa forma estaremos dando a eles a oportunidade de escolher quais caminhos são mais condizentes para cada um deles.

João Luís de Almeida Machado Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

SOCIAL BOOKMARKING

  Social bookmarking pode ser definido como a prática de guardar bookmarks para um sítio Web (Lomas, 2005). Dito de outro modo, é a prática de salvar endereços Web no computador para que possam ser visitados no futuro. Para criar uma colecção de social bookmarks, temos de nos registar num software específico que permita armazenar os endereços, organizar e catalogar os sites a guardar e ainda estabelecer se o acesso à colecção vai ficar público ou privado (Lomas, 2005). As ferramentas de social bookmarking mais divulgadas são o Del.icio.us para coleccionar, catalogar e partilhar de recursos Web e o Flickr mais vocacionado para a colecção e partilha de imagens (Maness, 2006). Uma tag é uma palavra-chave que é anexada a um objecto digital (um site, uma imagem, um vídeo clip) para o descrever de forma informal, e tagging é o acto de criar tags para catalogar recursos (Anderson, 2007). Para Shanni (2006), tagging é Web 2.0 porque permite aos utilizadores adicionar e modificar não apenas conteúdos (data), mas também conteúdos que descrevem conteúdos (metadata).Dessa forma, o social bookmarking permite ao utilizador manter online uma colecção de links pessoais – as tags – semelhantes aos favoritos do browser mas que têm a particularidade de ficar acessíveis também a outros utilizadores da Web (D´Sousa, 2007). Para Lomas (2005), o social bookmarking abre portas a novas formas de organizar e categorizar recursos Web. O criador de um bookmark, ao anexar tags a um recurso, cria um sistema amador, auto-dirigido, de classificação personalizada dos recursos da internet. Na medida em que os serviços de social bookmarking indicam quem criou um bookmark e possibilitam o acesso aos bookmarks de outras pessoas, os utilizadores da rede podem facilmente fazer conexões sociais com outras pessoas interessadas nos mesmos assuntos ou temáticas. Também é possível saber quantas pessoas usaram uma determinada tag e procurar todos os recursos catalogados com essa mesma palavra-chave. Na prática, o que acontece é que cada utilizador escolhe uma tag que tem significado para si próprio(a). Em alguns sites tem de ser uma palavra única mas noutros podem ser muitas mais. Uma vez atribuídas, as tags funcionam com um índex de termos que podem ser públicos ou privados (Hayman, 2007). Quando públicas, as tags podem ser pesquisadas por todos os utilizadores criando um novo formato de meta-dados que se designa por “folksonomy” (Alexander, 2006).

CLARA PEREIRA COUTINHO Universidade do Minho ccoutinho@iep.uminho.pt

Entrevista Profº João Luís de Almeida Machado por FSSilva no Videolog.tv.